sábado, 15 de março de 2014

Entenda a crise na Ucrânia

Manifestação começou como reação indignada ao rompimento com a União Europeia e ao estreitamento das relações com a Rússia.


A Ucrânia é um país que só existe há 23 anos e resultou do esfacelamento da União Soviética. Antes disso, ela sempre havia sido dominada por algum país ou fazia parte de algum estado. Hoje, o país vive uma crise econômica e política e precisa de empréstimos urgentes para evitar uma falência estatal. Além disso, a nação vive um dilema: se aproximar da União Europeia ou ser parte do plano do presidente russo Vladimir Putin de construir uma União Eurasiana?
O presidente deposto Viktor Yanukovich se recusou a assinar um acordo de livre comércio com a União Europeia. A medida gerou descontentamento popular e manifestações de rua, que resultaram na destituição de Yanukovich, em fevereiro. Ele fugiu para a Rússia e deixou um país dividido: a metade ocidental é pró-europeia, enquanto a metade oriental é mais ligada à Rússia.
Ucrânia dividida (Foto: Reprodução GloboNews)Entenda a divisão no país
No meio da tensão, o foco se voltou para a Crimeia, um território ucraniano autônomo, onde a maioria da população é de origem russa. O parlamento local foi dominado por um comando pró-Rússia que aprovou a adesão à Federação Russa. No dia 16 de março, ocorrerá um referendo para decidir se haverá a separação da Ucrânia.
Rússia enviou tropas armadas para a Crimeia, para “normalizar a situação”, mas o Ocidente não gostou nada da medida e pede recuo dos soldados, sob ameaça com sanções. O Ocidente também argumenta que o referendo é ilegal. A possibilidade de um conflito armado só piorou as relações entre Ucrânia e Rússia.
Há outros pontos importantes que devem ser considerados para entender a crise política, como o fornecimento de energia da Rússia para a Europa, os resquícios da Guerra Fria e as tradições russa e ucraniana.
Ficou mais fácil entender agora? Aproveite e veja reportagens e programas da GloboNews sobre o assunto.
Reprise da Guerra Fria, diz Lampreia
(GloboNews Painel, 08/03/2014)
A crise na Ucrânia tem sido descrita na imprensa internacional como uma das mais perigosas em pelo menos uma geração. Para o diplomata Luiz Felipe Lampreia, a tensão é uma reprise da Guerra Fria: "A Rússia recuperou sua força, prestígio e está procurando mostrar isso na sua fronteira, que não vai aceitar de forma alguma que o Ocidente se meta naquilo que ela acha que é área de influência dela".
Para Demétrio Magnoli, Vladimir Putin deve decidir por não anexar a Crimeia ao território russo: “Se ele quiser, ele anexa a Crimeia. Mas, se ele fizer isso, ele está soltando a algema que liga a Ucrânia à Rússia, que então vai pender para o Ocidente”. No entanto, o sociólogo acha pouco possível, já que faria com que a Rússia deixasse de ser um império: "Anexação da Crimeia é trunfo imediato, mas derrota histórica". (Veja a matéria completa)

Questão energética pode ser decisiva
(Sem Fronteiras, 06/03/2014)
Ao longo desse embate, o que aparece como pano de fundo é a questão da energia, representada no petróleo e no gás, que pode acabar tendo um peso decisivo nos rumos e no desfecho da crise.
Só a Alemanha, por exemplo, depende da Rússia para manter o fluxo de 43% do gás que o país precisa. Vladimir Putin sabe disso e já adotou a estratégia do corte outras vezes. Nada o impede que lance mão dessa jogada de novo. (Veja a matéria completa)

Erro de cálculo de Obama
(Sem Fronteiras, 06/03/2014)
Para Ian Bremmer, um dos analistas geopolíticos mais influentes dos Estados Unidos, o presidente Barack Obama cometeu um erro ao entrar de forma incisiva nas negociações sobre a crise na Ucrânia. “Os EUA precisam entender que Putin vê essa questão 100% em término de Guerra Fria”, diz o fundador do Eurasia Group. (Veja a matéria completa)

Também há divisão na Crimeia
(Sem Fronteiras, 28/02/2014)
Até mesmo na capital da Crimeia há confrontos entre a população de origem russa, contrária à mudança de governo em Kiev, e a minoria étnica dos tártaros

“A Crimeia é a região mais perigosa. Não é simples, até mesmo na Crimeia. Há os tártaros da Crimeia que foram deportados para a Ásia Central por Stalin. Muitos morreram no caminho. Só puderam voltar para a terra ancestral deles em 1991, com a independência da Ucrânia. Eles não gostam da Rússia e são uma parte importante da população da Crimeia”, explica o analista Ian Bond, Centro Europeu de Reforma.

“Os russos étnicos são maioria por lá, mas acho que seria perigoso e desestabilizador a Crimeia tentar se separar do resto da Ucrânia”, afirma Bond, que não descarta a possibilidade de separação acontecer. “É provável, mas não seria inteligente”. (Veja a matéria completa)

Cronologia da violência
(Sem Fronteiras, 30/01/14)
A Ucrânia é um país com 46 milhões de habitantes, com uma fronteira de um lado colada à Rússia e do outro ao extremo leste europeu. Os 17% dos habitantes que são russos formam mais da metade da população do leste, ondes estão concentradas as riquezas e o parque industrial do país. A outra metade, cerca de 46%, sofre uma nostalgia da Europa.
A cronologia da violência que levou o país às portas de uma guerra civil começa em 21 de novembro, com a recusa de última hora do então presidente Viktor Yanukovich em assinar um acordo de livre comércio com a União Europeia. Chamado a Moscou na véspera, Yanukovich se alinhou a uma proposta mais generosa de Vladimir Putin: US$ 15 bilhões investidos em infraestrutura e tecnologia de ponta mais US$ 2 bilhões anuais em abatimento no preço do gás que a Rússia fornece e do qual a Ucrânia é totalmente dependente.

Crimeia é ponto estratégico russo
(Jornal GloboNews, 03/03/2014)
A Crimeia tornou-se foco de tensão entre Rússia e Ucrânia porque a região nunca pertenceu propriamente à Ucrânia, mas durante a Guerra Fria, ela foi anexada, porque a União Soviética controlava tanto a Ucrânia quanto a Crimeia, explica o cientista político e professor de relações internacionais de Escola Superior de Propaganda e Marketing Heni Ozi Cukier. E hoje, a maioria da população da Crimeia é de origem russa.
“É um ponto estratégico para os russos, porque você tem uma base naval importante, onde está a frota do mar de saída para o Mar Negro. Para os russos controlarem a Crimeia, é muito fácil. A pergunta-chave é: onde os russos vão parar? Será que eles vão se satisfazer em anexar a Crimeia ou ajudar sua independência, ou vão partir para outras partes da Ucrânia, principalmente o leste, que está muito mais aliado à Rússia?”, questiona.

Repórter Bianca Rothier relembra as 24 horas que passou em Kiev
(Jornal GloboNews, 20/02/2014)
A correspondente da GloboNews na Suíça, Bianca Rothier, esteve em Kiev no dia 19 de fevereiro. Ela conta que havia controle nos principais acessos à capital e que a polícia tentava barrar manifestantes de outras regiões que queriam chegar à Praça da Independência.
No fim daquela quarta-feira, o governo e a oposição assinaram uma trégua, que foi ignorada pelos manifestantes. Eles exigiam que Yanukovich deixasse imediatamente o poder. Na manhã do dia seguinte, atiradores de elite com armas automáticas abriram fogo contra os manifestantes, que revidaram. Muitos feridos foram levados para o hotel onde estava a imprensa. Bianca conta que o saguão parecia um necrotério. Onze corpos foram contados na recepção. Bianca Rothier passou 24 horas em Kiev e presenciou o dia mais sangrento no país desde o fim da União Soviética.

Revolução Laranja denunciou fraude nas eleições para presidente em 2004
(Sem Fronteiras, 19/12/13)
Essa é a segunda vez em tempos recentes que os ucranianos protestam em massa contra o governo. Em 2004, o movimento conhecido como Revolução Laranja denunciou fraude nas eleições para presidente naquele ano, praticada justamente pelo atual ocupante do cargo, Viktor Yanukovitch. Os manifestantes já acusavam o governo de ligações estreitas demais com Moscou e exigiam novas eleições.
Um segundo pleito levou à vitória de Viktor Yuschenko e sua então aliada Yulia Timoshenko como primeira-ministra. Mas os dois acabaram brigando. O novo presidente não se mostrou capaz de resolver os problemas econômicos do país e acabou perdendo o cargo três anos depois, quando Yanukovitch saiu vitorioso das urnas. Timoshenko foi acusada de corrupção, julgada e condenada à prisão.

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