quinta-feira, 26 de abril de 2012

BC indica mais cortes nos juros com "parcimônia"--Ata

SÃO PAULO/BRASÍLIA, 26 Abr (Reuters) - O Banco Central, ao divulgar nesta quinta-feira a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), indicou que deve continuar reduzindo a taxa básica de juros do país, hoje em 9 por cento ao ano. Para especialistas, isso significa mais cortes na Selic entre 0,25 e 0,50 ponto percentual em maio, quando o comitê de reúne novamente. Pelo documento, o BC informou que "qualquer movimento de flexibilização monetária adicional deve ser conduzido com parcimônia", diferentemente da ata anterior, publicada em março, quando escreveu que a Selic poderia ficar "ligeiramente acima dos mínimos históricos" de 8,75 por cento ao ano. Naquele momento, o mercado havia voltado suas apostas para a manutenção da taxa em 9 por cento no ano. Agora, a situação é diferente. Para o economista do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), Fernando de Hollanda Barbosa Filho, o uso da palavra "parcimônia" no comunicado torna clara a mensagem de que o comitê dará maior peso à análise dos efeitos dos cortes já efetuados para calibrar os juros básicos e decidir o nível da próxima redução.
 "O BC comunica que vai manter a política monetária em curso, mas deve reduzir o ritmo de corte. Dependendo dos indicadores até o fim de maio, o Copom também pode optar por parar o ciclo de corte para observar os efeitos", comentou ele, acrescentando que se o setor fabril se mantiver estagnado, o BC pode baixar a Selic em até 0,50 ponto percentual. Na ata, o Copom observou ainda que "ocorreram mudanças estruturais significativas na economia brasileira, às quais determinaram recuo nas taxas de juros geral, em particular na taxa neutra". O mercado futuro de juros, com a divulgação da ata, mostrava nesta quinta-feira fortes apostas de mais reduções na Selic.

 POUPANÇA

A sinalização dada pelo BC de que vai manter a política de flexibilização monetária reforça outra questão que terá de ser tratada pelo governo: a remuneração da poupança. "O governo terá de evitar que haja uma fuga de investimentos dos fundos (para a poupança)", afirmou o economista-chefe da Prosper Corretora, Eduardo Velho. A caderneta tem remuneração fixada em 0,50 por cento ao mês, mais variação da Taxa Referencial, mas o aplicador é isento do Imposto de Renda. Já a Selic serve de base para remuneração de ativos em renda fixa e, como ela em níveis menores, os investidores nestes tipos de fundos de investimento podem migrar para a poupança, causando distorções no mercado. Nesta semana, a própria presidente Dilma Rousseff deixou em aberto a possibilidade de alterar as regras da poupança .

INFLAÇÃO

Apesar dos sinais de que vai continuar reduzindo os juros, o Copom elevou a projeção de inflação para 2012 e 2013 pelo cenário de referência -que leva em consideração o câmbio a 1,85 real e a Selic em 9,75 por cento. Segundo o documento, para este ano a inflação encontra-se "em torno do valor central" da meta do governo, de 4,5 por cento pelo IPCA. Para 2013, a inflação está "acima" do centro da meta. Ao se referir ao comportamento da inflação, o comitê informou ainda que o cenário externo continua desinflacionário, argumento usado para comunicar a sua decisão de reduzir a Selic em 0,75 ponto percentual na semana passada. "Em importantes economias emergentes, apesar da resiliência da demanda doméstica, o ritmo de atividade tem moderado, em parte, consequência de ações de política e do enfraquecimento da demanda externa, via canal do comércio exterior." Com isso, o Copom reafirmou que a inflação tende a "seguir em declínio" e em direção ao centro da meta. Nos últimos meses, os preços vêm mostrando perda de força. Em abril, embora o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) -considerado uma prévia da inflação oficial- tenha acelerado a alta a 0,43 por cento, em 12 meses o indicador recuou a 5,25 por cento, abaixo dos 5,61 por cento vistos antes. Pela ata, o Copom reafirmou que continua trabalhando com projeção de estabilidade de preços da gasolina e do gás de botijão. Para os preços administrados, manteve as contas de alta de 4 e 4,5 por cento em 2012 e 2013, respectivamente. O BC também voltou a afirmar que, entre os riscos projetados para a inflação, o Copom destaca os reajustes salariais.

ATIVIDADE ECONÔMICA

O Copom avaliou também que a desaceleração da economia no segundo semestre do ano passado foi maior do que se antecipava e que no cenário externo não há sinais de uma solução definitiva para a crise mundial. Apesar da perda de ritmo e das incertezas no cenário externo, o comitê considera que a demanda doméstica tende a se apresentar robusta, "especialmente o consumo das famílias, em grande parte devido ao efeito de fatores de estímulo como crescimento da renda e a expansão moderada do crédito." Na semana passada, o Copom decidiu reduzir a Selic em 0,75 ponto percentual, para 9 por cento ao ano. E, pelo seu comunicado, já havia deixado a porta aberta para mais reduções na taxa básica de juros. Foi o sexto corte seguido na taxa básica de juros desde agosto passado, quando iniciou o processo de afrouxamento monetário. No entanto, na ata anterior do Copom, publicada em meados de março, o Copom havia deixado claro que pretendia levar a Selic para patamares "ligeiramente acima dos mínimos históricos" o que, na época, foi interpretado pelo mercado como um sinal de que levaria a taxa a 9 por cento e ali permaneceria. O menor nível alcançado pela Selic foi de 8,75 por cento, entre julho de 2009 e abril de 2010. Última pesquisa Focus do BC, publicada na segunda-feira, mostrou que o mercado mantinha a previsão de manutenção da Selic em 9 por cento neste ano, com os especialistas em compasso de espera para mais sinais sobre os próximos passos do Copom justamente com a publicação desta ata. As sucessivas reduções na Selic servem para ajudar o governo no objetivo de garantir um crescimento econômico no país na casa dos 4 por cento neste ano. Para isso, vem adotando medidas de estímulo à produção, com destaque ao setor industrial. .

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